domingo, 23 de março de 2014

passos.txt


06/03

Tempos atrás precisava de algo para me distrair, comecei a participar de encontros de grupo nos sábados. Assuntos diversos, polêmicos e banais, comida e bebida, ocasionalmente. 
Nesses encontros conheci uma pessoa que se parecia extremamente decidido quanto as situações presentes, já estava integrado, ou melhor, parecia ser o criador de tudo aquilo em alguns momentos.
Comecei a nutrir profunda admiração pelo seu caráter e potencial, digo, sua vontade em manter tudo ali da melhor forma possível. 
Eu era silencioso, mas apreciava aqueles momentos com enorme prazer. 
Começamos a trocar mensagens fora do grupo, ele como fonte de motivação me impulsionou a ser mais verdadeiro comigo de certa forma. 
Depois de uma caminho relativamente curto, parei de frequentar o grupo, mas o contato continuava.
Um dia não aguentei e parti de vez. Me despedi e nem expliquei a situação, apenas deixei de ser. As vezes me arrependo de não o ter dado um agradecimento relevante.
Soube que semanas depois ele também tomou o mesmo destino. Não consigo deixar de achar minimamente engraçado todas essas situações. Não foi minha culpa e nem dele, mas é curioso pensar como uma relação tão distante e de certa forma pequena teve uma certa influência em tudo. Gosto de pensar que a minha presença quase invisível também foi relevante. 
No final a admiração soa ter sido mutua. 
Obrigado

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Deus1.txt

10/03

Era uma corrida, uma corrida sem o menor sentido. 
Era uma corrida que criei na minha cabeça. 
Existiam vários corredores, mas eu só olhava para dois. Observava de longe, em silêncio. Um começou na frente, claro, esse sempre teve meu maior destaque. O outro eu não esperava nem que começasse a correr, mas foi. O tempo passava, e eu contava cada um de seus passos. 
Os dois praticamente se equipararam. 
Eu já estava exausto, ia descansar e levar meus pensamentos. 
Mas não resisti, dei uma ultima observada. Um ponto para o empate, os dois me valiam muito. Mas eu resolvi deixar como está, um deles sempre teve meu maior destaque... como também meu coração. 
A vitória da minha derrota, mas minha derrota em manter a corrida nos eixos não equivale à minha vitória contra mim mesmo. Como um deus, mas não como uma criança, mantive o fluxo natural e me retirei aos meus aposentos. 

entregue.docx

27/02

Olhos
Olhos
Olhos.
Olha
Foge
Olhos
Olha
Olha
Mantém
Foge
Vai
Olha?
Olha?
Olhou
Vem
Vem?
Foge
Quase
Olhos
Olha
Olha
Olhando
Olhares
Olhares
Mantem
Mais fundo
Mais
Mais
Espera.
Tarde demais, afundei.     
 


quinta-feira, 13 de março de 2014

alhures.txt

É loucura, total loucura, mas quem liga? Estou contando grãos de areia no deserto, ou olhos na multidão, tanto faz. A espera é a mesma, de dizer tudo sobre o nada. O que é isso? Não sei explicar, são apenas coisas da minha cabeça. 
Apenas o caralho.
Apenas tudo isso que eu construí para mim. 
Me abraço e me entrego, não se questiona, não se pensa demais. Na verdade pensa sim, como um escorpião que não consegue ficar sem apunhalar sua vítima, essa é minha maldição. Caminho, caminho, quem não se confronta as vezes? 
Não perca a chance, não perca o momento, permaneça, entregue, exploda. Analise o processo inteiro, revise, exploda. Caminhe, confronte, exploda. 
Cada um no seu caminho, cada um na sua vontade. Não esqueça da morte, essa é a tua diretriz, sem parar no nada e se perder na multidão. 
Nada disso é pessimista, nem positivo, é a verdade. Caminhe, caminhe, confronte. 
Conto mesmo os grãos do deserto pois foi isso que se deu em mim, faço agora, e eu espero sua resposta, espero as vezes sem pergunta, não é necessário. Só não perca o impulso, só não esqueça o caminho que traçou pra você. 
E claro, ele não existe. Fora a morte tudo é simulação, divirta-se.