Não é que a vida acontece apenas fora daquele contexto, é que corpos convergem por diversos motivos. Eventos são complexos de serem realizados, o conceito de "cena" é uma criatura-complexa-temporal por si só, e a vida cobra tempo do capital constantemente. Mackenzie também fala de quem seriam es colegues de trabalho, como pessoas que se aproximam do contexto de festas e tem uma conexão diferente de quem realmente vê parte desse espaço como necessário à experiência do viver.
Os nós são de quem mantém esse espaço vivo, que por diversos motivos percorrem contorcionismos-de-espaço-tempo que formam o que pode ser definido como uma incandescência cultural. O quanto pode se projetar um rasgo na realidade se esses nós se multiplicassem como uma rusga entre tempos? Espaços de trocas, direta e indiretamente, podem compor uma comunidade, e quem sabe realmente uma cena que opera para além do esvaziado contexto estético-físico, mas projeta um hiperstício-estético-cultural, abrindo espaço pra outras formas de conexão e ser que transbordam o continuum e seus nós, para uma rede mais elaborada e menos binária e regrificada. Creio que artefatos podem ser partes simbólico-culturais disso, mas ainda sim o respiro que se dá na lógica capitalista - insuficiente para incitar, mas necessário para compor - a estética é parte essencial do que se agrupa para dentro da realidade material cultural do dia a dia, que é, e nunca vai deixar de ser, um lugar de disputa.
Produzir arte é uma prática-terapêutica-virulenta, o esforço artístico como refúgio ou forma de hackear o tempo do capital é uma pequena conquista em si, mas também uma forma de coletivamente conjurar um sentimento, e quem sabe um propósito no tempo e espaço. Esse sentimento precisa ser acompanhado de uma perspectiva da materialidade que redireciona-desejantes-inertes pra uma construção potente de um futuro que pode ser sim mitificado como uma forma de esperançar, em entrelace com uma prática-praxis-sonho.
Futuros possíveis precisam ser urgentemente emanados no ansieo de uma perspectiva que componha uma fibra firme frente o momento histórico que se preenche e transborda na realidade material. Talvez respostas e propostas se encontrem no que tece a realidade para além do que a compõe, o material, o corpo, a carne, a troca, e um projetar-prático-desejante. Como se suspende ao foco, a estampa que carrega os códigos-disputa, e por um momento, se olha para o que é tecido, em seu próprio meta-código-código, por de baixo de uma camada que se tanto tenta capturar pela burguesia-capital-messiânica.
*vlw pablo por revisar o texto