Eu queria três dias de silêncio.
No primeiro deles, harmoniosa e disciplinadamente começaria mais uma leitura que nunca iria terminar, procuraria pelo marca página mais próximo, e o posicionaria na primeira página, me desafiando a lembrar o momento em que parei de ler. Sentado em frente ao computador, pegaria meu caderno de anotações e iniciaria meu extenso estudo. Marcaria cada detalhe importante e anotaria os pontos principais e devidas reflexões. Meu almoço seria uma bela lasanha, e o jantar, suas sobras. Estaria indo dormir realizado, empolgado por aqueles que me esperam.
O segundo dia começaria cedo, a noite foi tranquila. Encheria uma xícara de café e observaria o tempo passar por instantes. Até o sol se aproximar de forma menos tímida. Reposicionaria o livro, ligaria o computador e jogaria por algumas horas. Pensaria em alguém por mais de uma vez no dia, me perturbaria em silêncio com pequenas mudanças no ritmo cardíaco. Fumaria maconha, fumaria cigarro, beberia duas garrafas de cerveja e um terço de vodka com um refrigerante qualquer. Ouviria minhas melhores músicas, dançaria sem motivo, tentaria esquecer o que passou e passará. Meu almoço, miojo e jantar, pizza. Dormir seria difícil, o dia foi bom demais para se estar bem, nada nunca está bem. Uma hora o sono vem.
Terceiro dia de silêncio seria confuso, estaria acordado perto do meio dia. O almoço seriam todas as sobras. Leria a página final do livro. Afastaria meu computador do meu quarto. Deitaria no chão por algumas horas. Esperaria. Beberia muita água. Comeria tudo que ainda não foi consumido dentro da casa. Veria um vídeo. Deitaria na cama, voltaria para o chão. No chão, me desculparia de todas as pessoas que se preocuparam comigo. Agradeceria enormemente e desligaria a Internet. Veria algumas fotos, faria uns três desenhos de nanquim. Pensaria em diversas combinações de palavras e detalhes de pessoas que não saem da minha cabeça, me esforçaria para continuar pensando em tudo, menos em ser humano. Cairia por mim, ignoraria os enfeites, me contemplaria em mim mesmo, sentiria o vazio por vez, me escolheria ao chão. Sono.
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