domingo, 10 de abril de 2016

3tardes.txt

19/02

Olhando para o céu, vendo as nuvens passarem rápido. Comecei a lembrar q hoje de manhã já não lembrava mais como era a vida um mês e pouco atrás. Consigo lembrar de algumas sensações, mas não todas. Refleti o quanto não sei como vou fazer a vida e como essa perda de noção me faz lembrar q fazem anos q me encontro sempre na borda de conseguir acreditar no que todo mundo faz para seguir a vida. Ao contrário daquelas nuvens menores, que trafegavam o céu com tanta calma, mas de forma rápida apenas para quem as notasse. 
Desci meus olhos e percebi um prédio. Me pergunto a quanto tempo aquele prédio existe, em algum momento eu vi aquele prédio ser construído, e em outro, mesmo existindo na frente do meu quarto, parou de existir para mim. Assim como todo o tempo que corri atrás de ideias sem perceber outras.
Chorei. Pela negligência com o prédio, pelas nuvens, pelo fato do tempo ser ridículo e insistir em acreditar que tudo precisa ter um ritmo exato quando nada precisa ter. Meus familiares estão a mais de um mês pretendendo ir a um lugar. Mas tudo amigavelmente os fazem desistir, pois tudo ao entorno sempre parece produzir qualquer efeito mais imediato. Seja o fracasso imediato, seja o conforto imediato. O ritmo, rotineiro, é confortável.
O costume segue para mais de um lado, até banhos gelados precisam de tudo isso. Porém, ritmos costumeiros e rotineiros destroem a magia da mudança de temperatura. Caso impressões óbvias não existissem, nuvens não trafegariam em diversos ritmos, prédios de meses não seriam construídos em dias e temores em esfriar o corpo pareceriam banhos na temperatura sempre desejada.
Entre as nuvens que agora se enchiam de água, e o prédio que ameaçava levemente trocar de cor com a caída da tarde, um arco íris surgia. O arco íris não seria um espectro de luz tão inusitado se caísse em um ritmo dito agradável e esperado. Bem como não seria colocado por aí em narrativas de forma poética. Aqui ele é só mais um elemento. 

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