quarta-feira, 16 de julho de 2014

showinho.docx

Chamem marceneiros, engenheiros, cientistas e pedreiros. 
Quero toda a sociedade de olho no meu feito. 
Todos distraídos com o show que planejei, levem eles pra fazenda, a terra que eu sou rei. 
Terá malabaristas, trapezistas, vendedores e pugilistas. 
Uma festa como essa de longe se paga à vista. 
Todos eles bem felizes nunca saberão a razão. 
Essas foram as palavras do coronel, rei soberano da situação.
Tornou-se louco do dia para a noite e ninguém sabe a solução. 
O grand finale do velho maluco é presentear o seu gado com o melhor vinho. 
Vinho estrangeiro da terra do canarinho.
Mal sabia seus capatazes do conteúdo dessa oferenda.
Era cicuta com certeza, a base da merenda.
Matou o gado, matou o povo, para ele todos eram suas cabeças a governar.
Sem um pingo de noção, resolveu também se matar.
Só sobrou a mim, o violeiro andarilho.
A carne estava boa, a bebida nem pensar.
Sinto cheio de veneno até em um pisar.
Encontro um cachorro sozinho, amarrado para nao gerar confusão.
Vem comigo, meu amigo, por esse mundo de ilusão.

http://www.afonsolopes.com/wp-content/uploads/2014/04/Vinho_Sangue_de_Boi.jpg

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