quinta-feira, 2 de julho de 2026

tempo-viário

A maior crueldade que eu posso fazer é dimensionar o tempo a olho nu. Contemplar sua passagem se colocando fora dele, como uma espectadora e não como uma passageira em turbulência. O tempo sempre está em turbulência. Conjecturei o tempo espaço entre suas palavras e seus atos e puxa vida, sou péssima em matemática e ainda tenho deficit de atenção. Murro em ponta de faca, insisto em fixar palavras como se fosse algo sólido, estão mais para fluidos não euclidianos, derretendo e se gosmentando em cada lombada que ser uma criatura do meu tempo é. Tempo que nem meu é, é coletivo, é do capital, é espiralado. Vários tempos numa malha viária, e eu ainda perdi o ônibus me desencontrando de você

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