Paraíso
Um paraíso. A liberdade, a intensidade, a juventude. Longe de tudo que poderia ser nocivo quanto sua expressão própria. Tudo que existia em sua mente era seu limite.
As possibilidades eram imensas para eles, nada poderia dar errado. Afinal, os grandes momentos de ordens passaram durante anos inquietos. Nada poderia ser mais perfeito.
Foram dias inteiros vendo filmes, consumindo todos os tipos de drogas, discutindo todos os tipos de temas ao meio de ideias tão intensamente vazias para o contexto. No mínimo curioso o engajamento e cuidado inferido em cada palavra da discussão, como se houvesse uma urgência própria, hipócrita.
Cada um precisa do seu momento de alegrias, papos ao vento, balanço descompromissado. Eram os vinhos mais baratos, a palhas menos bem boladas, o cigarro mais forte. Era harmônico o ritmo letárgico embalado por canções velhas e principiantes, todos eram especialistas em aproveitar. Veio a palavra que não batia, as contas q não concluiam, o pulmão que ardia. Ninguém se caminha o mesmo, o paraíso é sempre uma ilusão. Insolação gerada pelo vislumbre da humilde vontade de ser feliz.
Estar então preparado para lidar com o desafio de sempre se deixar para fora da alegria, o difícil sempre é fácil de envolver de forma sufocante. O paraíso existe sim, mas é momentâneo. Levar os trapos e procurar uma terra nova, quem sabe esse segredo talvez nunca envelheça. Esse de fato deve ser o segredo da vida. Mas enquanto se é ignorante, só se tem uma certeza.
Tudo perde a sua cor.
Todo paraíso perde seu amor.
