domingo, 20 de abril de 2014

Modus Operandi 2 - Mártir.txt

Mártir é intenso, é um processo de sacrifício. Mártir envolve a luta de um ideal, uma noção de algo melhor pelo bem geral de seus apoiadores. É um símbolo de sacrifício. 
Ela em toda a sua intensidade e busca, é egoísta. Curioso pensar que alguém que lute pela libertação é egoísta. Mártir também tem seus erros. Ela se apresenta como uma alternativa marginal, independente. 
É mais curioso ainda pensar a relação de mártir com a liberdade. Elas são amigas, caminham juntas e estão no mesmo ideal. Mas mártir tem questionamentos quanto às formas da liberdade se definir, sua forma de envolver e lentamente conquistar. Como dito, mártir é intenso, precisa de seu apoio agora, pois a luta vive. Mártir requer entrega imediata, e sabe quando necessita de seu apoio, o egoísmo do sacrifício. 
Estar envolvido com as duas é conflituoso, angustiante. Lidar com a situação exige certo controle. Mártir também sabe acolher, ajudar, ao longo que esteja ao lado na luta. 
As situações podem te engolir e te levar ao caminho traçado pelo mártir, compartilhar o ideal e seguir seu caminho. Torna-se mártir na entrega completa de um ideal, se vendo capaz de se sacrificar por ele, abandonar qualquer outra possibilidade e compreensão alheia. A partir do ponto que sabe o que fazer, ninguém mais é válido, você tem certeza de você.
Um instrumento. 
Mártir te envolve para nunca mais. 

sábado, 19 de abril de 2014

Modus Operandi 1 - Liberdade.txt

A liberdade é complicada. Não se pode negar que ela exerce um poder. Por séculos e séculos a construção e desconstrução da liberdade foi discutida pelos maiores e ilustres pensadores da humanidade. Não é apenas exclusividade dos considerados pensadores e filósofos, claro. Inúmeras pessoas em seu dia a dia questionam a função da liberdade e sua real utilidade em suas vidas. Cada um apresenta o seu caso pessoal partindo na noção geral social da situação em que está inserido.
A liberdade vem e se dispõe um caminho emocionante e possivelmente utópico, mas válido de se correr atrás. Não é algo especificamente novo, mas para alguém longe de sua graça é uma forma de salvação. A liberdade é emancipatória, mas não trás a solução por si mesma. Se deixar flertar com a liberdade é perigoso, não se sabe o real lado em que ela está. Você deve saber administrá-la em sua relação de uma forma que te leve até algo realmente libertador. 
Não se pode confiar na liberdade, se ela subir à cabeça poderá ser mortal, arrebatador, prisional. Se render à liberdade também é desistir de ser livre e sofrer com sua inconsistência. Por ócios do ofício, odiar a liberdade não leva a nenhum lugar melhor, demonstração de sentimento intenso, principalmente ódio, também é uma forma de amar. Indiferença é preferível. Na pior das hipóteses, tenha a liberdade como amiga, mas a cautela é sempre válida, o contato leva à auto-destruição. 
A liberdade é essencial, não se pode caminhar sem ela. A mantenha por perto, mas tenha consciência de seus riscos. Essa base é o que o faz seguir. Não se esqueça, sempre é possível encontrar a liberdade em sua consciência que o melhor conteple.

domingo, 23 de março de 2014

passos.txt


06/03

Tempos atrás precisava de algo para me distrair, comecei a participar de encontros de grupo nos sábados. Assuntos diversos, polêmicos e banais, comida e bebida, ocasionalmente. 
Nesses encontros conheci uma pessoa que se parecia extremamente decidido quanto as situações presentes, já estava integrado, ou melhor, parecia ser o criador de tudo aquilo em alguns momentos.
Comecei a nutrir profunda admiração pelo seu caráter e potencial, digo, sua vontade em manter tudo ali da melhor forma possível. 
Eu era silencioso, mas apreciava aqueles momentos com enorme prazer. 
Começamos a trocar mensagens fora do grupo, ele como fonte de motivação me impulsionou a ser mais verdadeiro comigo de certa forma. 
Depois de uma caminho relativamente curto, parei de frequentar o grupo, mas o contato continuava.
Um dia não aguentei e parti de vez. Me despedi e nem expliquei a situação, apenas deixei de ser. As vezes me arrependo de não o ter dado um agradecimento relevante.
Soube que semanas depois ele também tomou o mesmo destino. Não consigo deixar de achar minimamente engraçado todas essas situações. Não foi minha culpa e nem dele, mas é curioso pensar como uma relação tão distante e de certa forma pequena teve uma certa influência em tudo. Gosto de pensar que a minha presença quase invisível também foi relevante. 
No final a admiração soa ter sido mutua. 
Obrigado