quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Reflexos de Outra Vida.txt

Esse corpo já assumiu várias versões, um templo de experiencias, carrego vidas passadas recentes, e não tenho vida o suficiente pra dizer se um dia isso vai ser diferente. Enfim, feliz aniversário. 




Não é como se eu não tivesse digerido, feito as análises terapeuticas, as reflexões existenciais, os saltos de qualidade e tomado as medidas para a cura. Não é sobre isso, definitivamente. Não é mais sobre mim. "I was never there" foi um lema que carrega muitos mais sentidos que eu conseguiria elaborar em palavras, mesmo que sentir já fosse o suficiente.


Caotista futuróloga aceleracionista cibernética, eu só olho pra trás quando tá no meu futuro. Reconstruir meu presente me preencheu de vários "e se", que não são tão pertinentes quando você está muito veloz, mas com consciencia se torna um jeito de se divertir. Escavações amigáveis num templo de existencias.Em resumo, queria interpolar jealous guy interpretado pelo donny hathaway com a mesma maestria que kanye west fez em "dreaming of the past" do pusha t, tirando a parte das desculpas. Desculpa por essa parte, aliás. 


A única coisa que liga quem eu fui de quem eu sou e tudo ao meio é o "muito alta" dos nossos perfis do last.fmE o alívio de que nós duAs ainda estamos vivAs. Digo, esses corpos ainda existem, diferentes e reformados, e espero que (pelo menos pra mim) cada vez mais. Eu lembro da sua voz mais que eu lembro da minha te respondendo, ainda bem.


É o primeiro 18/02 que consigo lembrar e me divertir com a ideia de quem a gente foi. Não é sobre fichas caindo, é sobre ter paz pra contemplar. Intensa, dramática e ainda sim pragmática, viver, pra mim, vem sendo explorar conceitos, e quem eu sou hoje não viveria o que existiu nesse nosso passado, até porque esse passado me colocou aqui. 


Just shake with laughter, my method actor.



 

Mais que ainda bem! Novamente, outra vida. Em perspectiva, ao que importa: será que aprendi a medir cuidado? Dar peso a minha vida frente ao sofrimento de outro? limites e limites, aprendi que gosto de fazer as pessoas acharem que tem controle. controle e controle, palavra engraçada. Eu não sei o que significa mais, carrego como se fosse um diagnóstico. 


Complications

Your mutations watch this


Lembro do seu olhar angustiado, que diluiam quando tudo parecia estar bem na realidade que era possível de criar. O embassado dessas memórias não são apenas escolhas conscientes, meu corpo me protege do que não é mais meu, mas o que respinga agora é só afeto, e eu nunca posso dizer que não me diverti. E que me divertir é um conceito que não tenho nem tempo pra conjecturar em palavras por completo. 


Through this mess I've been devoted 

Here comes destiny



É impossível eu ser críptica esse ano, não é mais sobre você e eu, nao é sobre controle, nao é sobre algo além memória do que nunca é realidade. Eu não preciso me agarrar ao que não posso ser pq a ferida arde, eu também não quero mais justificar os sentimentos da máquina que vos escreve. Revisar sofrimentos com a minuscia de quem passa por um processo avaliativo importante, maratonistas de lutos anônimos, não é onde eu quero estar. 




Eu lembro da sua risada, acho que não perdi a graça e a habilidade de ver graça. Even machines can pull some jokes here and there. Tenho medo de não parar, de tudo esmuecer, de nunca não me sentir toda torta, mas não tenho medo do medo. Eu nunca mais vou te ver, se te ver, não será você. E mesmo assim desejo felicidade pra caralho, this machine loves in their own ways.



ps: criei um personagem de rpg com um nome parecido com o seu, só que teu nome não tem acento. ela é chata, mas não é por causa de você, é só pq eu consegui me devolver uma palavra que nunca achei que emitiria em completa paz depois da gente ter se cruzado



quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

segunda-feira, 7 de junho de 2021

Rua Sem Saída

 — Eae, meu velho (…). Então, tô conseguindo manter um ritmo bem legal nos últimos dias, tá bem mais fácil de caminhar longas distâncias e tudo mais… mas eu venho ficando bem cansado de andar pelo mesmo espaço, o mesmo todo, sabe? Assim… eu desço aquela rua que tem a loja de materiais de construção atééé a avenida e, sei lá, resolvi ir um pouco além ontem. Atravessei a avenida, bem de boa, não tava muito quente, com uma brisa boa na sombra, tá ligado? Aí segui até uma rua que dava, que era sem saída. Nem sempre elas são sem saída para os pedestres, até porque a maioria das placas só servem pra carros, né? Enfim, dei de encontro com um senhor cortando grama, ele levantou a mão, eu levantei a minha de volta. Eu tava de fone, então não sei se ele falou algo, mas também não sei se ele percebeu que eu tava de fone, sei lá… deu a sensação de que ele tinha falado alguma coisa. Continuei descendo a rua, que era bem arborizada e bonita. É outro bairro e, por incrível que pareça, algumas quadras para dentro, já rola uma diferença entre as árvores plantadas. Geralmente a gente vê mais daquelas árvores grande e longas, recheadas de orquídeas e musgo, né? Por esse lado elas são menores, mas com muito mais flores, muito mais cores e possibilidades. Provavelmente algum prefeito dos anos 80 teve esse conceito, que para ele era genial, mas não muito para algumas vizinhanças. Mais à frente, encontrei o mesmo senhor andando com um cachorro…? Na verdade, não sei se era mesmo o mesmo senhor ou não. Eu tava andando meio rápido tentando controlar a respiração, só acenei e segui em frente.
Por um momento eu comecei a achar estranho o quão grande era aquela rua sem saída. De qualquer forma, colocaram uma placa num lugar muito errado, até porque ainda tinha algumas outras bifurcações, mesmo que eu tenha visto mais de um carro dando meia volta para não entrar naquela rua. Sei lá, enfim… só gente perdida mesmo, até porque, mais à frente, entrou um Chevette puta bem conservado, o senhor de dentro dele acenou, e continuei o caminho. Logo à frente, tinha outros dois senhores conversando através de um muro, um de dentro da casa e outro do lado de fora, com uma sacola de mercado na mão. Eu já tava meio exausto, então resolvi sentar num toco de árvore do outro lado da rua, sem antes ser cumprimentado pelos senhores. Acenaram e, quando retornei o aceno, pareciam irmãos. Tava bebendo minha água e comecei a sentir um ar de urgência, sei lá, deviam ser os hormônios batendo… a vontade de continuar andando. Desliguei o fone de ouvido e fiquei prestando atenção na conversa dos dois… provavelmente eram mesmo irmãos, tinham umas vozes muito parecidas… falavam sobre o tempo e ficavam se chamando de "meu velho" a todo momento, era meio engraçado.
Nesse meio tempo, o coroa no Chevette se aproximou de nós e perguntou para mim: "Iai, meu velho, qual as horas?". Eu resolvi entrar na brincadeira da região e devolvi com um "Opa! São 9h47, meu velho!". O senhor riu, agradeceu, e seguiu caminho, beeeem vagarosamente, como se estivesse tirando o carro só pra dar uma movimentada nele, mesmo. Enfim, resolvi continuar andando pra ver se chegava logo no fim da rua. Tava exausto, mas meio empolgado ao mesmo tempo, não queria perder a oportunidade… não sei se a palavra “empolgado” é a melhor, mas algo me dava uma vontade de caminhar mais e mais, quase que um sentimento familiar, de conforto, sabe? É o tipo de parada que só bate quando você tá com a endorfina lá no topo… há quantos anos que eu não sinto isso? Não faço ideia.

— Sim, meu velho, também faz tempo que não sinto isso, rapaz! Ainda mais aqui dentro de casa…  não tenho muito espaço para sair para me movimentar, só fico aqui para tomar um sol gostoso mesmo. Fico feliz que você tenha aparecido, meu velho, comprou o que de bom do mercado?


obrigado amanda, que editou