quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

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Virou o corredor que dava para o banheiro, ouviu gemidos saindo da porta de emergência. Sei lá porque resolveu dar uma espiada, talvez o álcool, só talvez. Abriu lentamente a porta, conseguia ver um corpo deitado no chão. Apenas uma voz masculina, gemidos de dor. Abriu a porta totalmente. O que é isso?

- ei, quem é você?
- Sou eu, cara. Não está me reconhecendo?
- C-calma... você sou eu ?
- Isso, sempre um ótimo detetive, mesmo bêbado, hah.

O de pé, que já se encontrava no meio do corredor, a alguns passos do que estava no chão, deu alguns passos para trás, assustado. Trombou em caixas vazias, caindo e se cortando em garrafas de vidro quebradas no chão, ao lado de uma caixa de ferramentas. 

- Como seria bom não sentir dor, né não?  Disse o que já estava no chão.
- Você sabe que sei lidar bem com isso.
- Sei o que está pensando. Você sabe que não é um androide, nem um vulcano, hahaha.
- Cale a boca, você não é exatamente o que eu sou. Você não sou eu!
- Claro que sou, olhe para mim. Mas você pode ser algo melhor que eu.
- isso não é real.
- e o que é por aqui? Você precisa me ouvir, eu sei o que está sentindo.
- pare com essas besteiras, eu sei cuidar de mim.
- Não é o que esse caco de vidro bonitão enfiado na sua mão diz. Aliás, estou aqui para cuidar de mim, não? Hahahah.
- Eu não sei o que fazer, não sei se sei. Em que eu posso me ajudar assim?
-Ahh... humano, afinal. Ouça, somos da mesma carne, tecnicamente. Lembre-se que você não passa de um humano, está sobre a mesma situação que qualquer outro.
- Eu sei disso, só não é esse o caminho, não quero que...
-Mas você não pode fugir disso, olhe para você agora, sabe o que está sentindo.

Pensou um pouco, respirou fundo, retirou o caco de vidro lentamente da mão. Vasculhou a caixa de ferramentas, encontrou um martelo. Levantou-se e disse:

- Entendo o que você quer dizer, acho que valeu. Obrigado pelo reencontro. E desculpa pelo que vem a seguir. Somos carne em comum, afinal.
- Eu é que agradeço, bom amigo. É sempre bom quando chegamos nessa parte. E você sempre criativo... bonito martelo, hah.
- Cala a boca.

Levantou o martelo com as duas mãos e começou a violentamente acertar aquele que estava no chão. Começou pela cabeça, se ajoelhou para acertar o resto do corpo. Quando estava satisfeito, se levantou e retomou seu caminho ao banheiro para limpar as lágrimas.
oie

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