Virou o
corredor que dava para o banheiro, ouviu gemidos saindo da porta de emergência.
Sei lá porque resolveu dar uma espiada, talvez o álcool, só talvez. Abriu
lentamente a porta, conseguia ver um corpo deitado no chão. Apenas uma voz
masculina, gemidos de dor. Abriu a porta totalmente. O que é isso?
- ei, quem
é você?
- Sou eu,
cara. Não está me reconhecendo?
-
C-calma... você sou eu ?
- Isso,
sempre um ótimo detetive, mesmo bêbado, hah.
O de pé,
que já se encontrava no meio do corredor, a alguns passos do que estava no
chão, deu alguns passos para trás, assustado. Trombou em caixas vazias, caindo
e se cortando em garrafas de vidro quebradas no chão, ao lado de uma caixa de
ferramentas.
- Como
seria bom não sentir dor, né não? Disse
o que já estava no chão.
- Você sabe
que sei lidar bem com isso.
- Sei o que
está pensando. Você sabe que não é um androide, nem um vulcano, hahaha.
- Cale a
boca, você não é exatamente o que eu sou. Você não sou eu!
- Claro que
sou, olhe para mim. Mas você pode ser algo melhor que eu.
- isso não
é real.
- e o que é
por aqui? Você precisa me ouvir, eu sei o que está sentindo.
- pare com
essas besteiras, eu sei cuidar de mim.
- Não é o
que esse caco de vidro bonitão enfiado na sua mão diz. Aliás, estou aqui para
cuidar de mim, não? Hahahah.
- Eu não
sei o que fazer, não sei se sei. Em que eu posso me ajudar assim?
-Ahh...
humano, afinal. Ouça, somos da mesma carne, tecnicamente. Lembre-se que você
não passa de um humano, está sobre a mesma situação que qualquer outro.
- Eu sei
disso, só não é esse o caminho, não quero que...
-Mas você
não pode fugir disso, olhe para você agora, sabe o que está sentindo.
Pensou um
pouco, respirou fundo, retirou o caco de vidro lentamente da mão. Vasculhou a
caixa de ferramentas, encontrou um martelo. Levantou-se e disse:
- Entendo o
que você quer dizer, acho que valeu. Obrigado pelo reencontro. E desculpa pelo
que vem a seguir. Somos carne em comum, afinal.
- Eu é que
agradeço, bom amigo. É sempre bom quando chegamos nessa parte. E você sempre criativo...
bonito martelo, hah.
- Cala a
boca.
Levantou o martelo com as duas mãos e começou a violentamente acertar aquele que estava no chão. Começou pela cabeça, se ajoelhou para acertar o resto do corpo. Quando estava satisfeito, se levantou e retomou seu caminho ao banheiro para limpar as lágrimas.
Levantou o martelo com as duas mãos e começou a violentamente acertar aquele que estava no chão. Começou pela cabeça, se ajoelhou para acertar o resto do corpo. Quando estava satisfeito, se levantou e retomou seu caminho ao banheiro para limpar as lágrimas.

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