Ele olhou para o céu. O céu olhou para ele.
Puta que o pariu, pensou, entre tantas pessoas no mundo, por que essa merda foi
olhar para mim.
Agora,
enquanto as outras pessoas aproveitam as situações simples de sua existência,
fofocando, sofrendo, tendo raiva à toa, amando.. Eu estou aqui fadado a
questionar a real existência e essência das coisas ao meu redor e além.
Irritado, gritou: Por que você não cai logo
sobre mim, seu pedaço enorme de nada! Não recebeu nenhuma resposta, e no fundo,
sabia o porquê. Nada de seus questionamentos faziam sentido, a resposta estava
no seu grito, pedaço enorme de nada.
Nada este que pode parecer tudo, mas na real
não é nada. Sério, nada mesmo, nada está te prendendo aí, só o simples fato de
você estar aqui e não ali.
Era muita pressão, já estava sentado no chão,
era só ele que estava fazendo tudo aquilo. Encostou sua cabeça no asfalto
molhado e abriu os braços, não poderia acreditar. Algo precisava vir para
tutelá-lo.
Nada olhou para mim, sou eu e meu peso, por que
as possibilidades são tão pesadas?
Como alguém consegue andar calmamente na rua
com toda essa pressão? Como conseguem dormir?
Era simples novamente, eles não pensavam, ou
melhor, se calavam. O ser humano não aguenta tudo isso, toda essa imensidão é
mais claustrofóbica que uma cabine de elevador.
Dramas cotidianos são mais aconchegantes que a
liberdade de se deixar passar e tentar tudo o que está presente e impresente.
Sabia agora exatamente o que fazer, levantou
com confiança, conhecia suas limitações e como lidar com elas, tudo é
permitido, mas tem algo melhor do que isso.
Voltou para a sua cabine, e se puniu com sua
própria consciência.


